Provavelmente — e decerto com particular incidência nas últimas
legislaturas —, sempre houve gente nos governos com alguma incapacidade para
defender os seus currículos. Quer porque eles (os currículos) eram má ficção, quer
porque eram facilmente confundidos com cadastros. Mas no governo de Passos
Coelho isso parece uma especialidade, uma cláusula.
Um tipo põe-se a pensar que, se os lugares de ministro e secretário de estado
(ou assessor) fossem a concurso, Coelho mandaria lavrar anúncio no Diário da República com a alínea: «Dá-se
preferência a quem tenha rabos-de-palha; da sua elisão trata-se a seguir, com
corrector Bic ou Pelikan, depende de quem patrocinar.»
Os currículos de Gaspar e Santos Pereira, bons rapazes e sem mácula no carácter,
pertenciam ao lote da ficção, poderiam ter sido escritos por José Rodrigues dos
Santos num dia inspirado. O de Relvas também, mas acumulava vilanias. Agora, a
ministra das Finanças e o dos Negócios Estrangeiros são o topo hierárquico de
uma lista de governantes cujos currículos os habilitam com distinção ao governo
passista mas logo depois têm de passar pela lavandaria para serem apresentáveis
ao resto do país.
Desde Junho de 2011 há um campeonato para ver quem mente-mais-e-pior e,
em simultâneo, tem o raio-de-uma-lata. Os melhores nestas duas disciplinas
mantêm-se no governo ad nauseam, até
aparecerem cartazes no tour de França
e na Estação Espacial Internacional. Só saem quando a sua reputação não se distingue
da lama onde nadam.
«Machete: s. m. sabre de artilheiro com dois gumes, faca de mato, viola pequena, cavaquinho.»
Já não vamos lá de machete. Estes vigaristas têm que ser tratados à bola de canhão.
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