sexta-feira, 24 de agosto de 2012

RTP, extorsão e papalvos

Fecha-se a RTP2 (porque é cara e tem fraca audiência) e os contribuintes continuarão a pagar 140 milhões para um privado (provavelmente angolano) fazer o “serviço público” definido pelo Governo PSD/CDS. Como “privatização”, é brilhante. Privatização do dinheiro público.
Os portugueses julgavam que tinham elegido um governo, mas na verdade elegeram o Xerife de Nottingham.

A RTP1 não fazia serviço público. Quando muito, fazia servicinhos aos governos, e nem todos de cariz sexual. Ou fazia o serviço em público (era impossível não dar pelo cheiro). Se não se é coprófago, é-se de opinião que um canal como a RTP1 devia ser fechado, implodido, incinerado — ou, se quiserem, vendido (podia dar para adubos, sabe-se lá). Mas quando um licenciado express coadjuva um espectador do La Feria no Governo aparecem melhores ideias. Como esta de pagar a um privado para fazer o lindo serviço que a RTP1 fazia.
Ok, não será bem o mesmo serviço. Os neurónios extra que aqueles dois contrataram para juntar ao par que possuem matutaram e concluíram que terá de haver um novo caderno de encargos definido pelo actual Governo. Sim, porque cada um gosta de fazer a sua própria merda. De resto, ninguém tem dúvidas que se algum Governo houve em Portugal capaz de definir um serviço público de televisão ele foi eleito em Junho do ano passado. Serviço público e este Governo são como unha e carne: a unha deles, a nossa carne.

Portanto este hibrido pegajoso de PSD e CDS espremerá a cabecinha para criar um novo conceito de serviço público. Não precisava de se dar ao trabalho: já sabemos que o resultado será um novo preconceito de serviço público. Um preconceito cultural, ideológico e económico. Um serviço público adaptável à sacrossanta lei da oferta e da procura. Exactamente aquilo que o país nunca teve e estava a precisar.

Alguns dirão que a venda da RTP serviria melhor os interesses nacionais. Haveria um razoável encaixe financeiro e, ao fim e ao cabo, a merda que iria para o ar seria a mesma. Quer dizer, nesta concessão, o operador privado terá de se preocupar com receitas (não muito, é certo) e terá de competir pela sua quota de audiências medíocres (isso estará no caderno de encargos). Porquê hão-de então os contribuintes continuar a pagar por um serviço que outros operadores privados já garantem? E porque hão-de os contribuintes pagá-lo a uma empresa privada?

Porque em certas circunstâncias ser papalvo é bom. Ser papalvo sob a gestão de um executivo PSD é bom. Foi isso que o esbirro António Borges veio dizer aos portugueses em nome do cobarde do Xerife de Nottingham.

3 comentários:

Um Jeito Manso disse...

O Caro Rui Ângelo Araújo ainda consegue expressar a sua perplexidade e indignação. Eu nem isso. Quando as coisas chegam a este ponto já me é difícil encontrar palavras para falar delas. Costumo dizer que a mediocridade a que se chegou é total. Mas vamos, aos poucos, descendo novos patamares. E abaixo da mediocridade de que devemos falar? De maldade? Confesso que não sei. Quero também manifestar a minha indignação mas faltam-me palavras.

Luis Eme disse...

é uma vergonha, a somar a tantas outras.

penso que o que vem aí com a TAP será a maior de todas.

que gente tão corrupta e ordinária.

margarida disse...

São umas a seguir às outras, às vezes até se encavalitam, é atordoador!
E uma pessoa fica boquiaberta a vê-los 'manobrar' (e a olhar para as contas e para as intimações das Finanças e quejandos).
Palavra que nem sei o que sentir...; isto é um fatalismo luso?
Isto é castigo?
Merecemos?