segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Carnaval

O ócio é uma aspiração antiga e legítima da humanidade. Certas etapas do progresso tecnológico foram aliás propagandeadas como sendo libertadoras do homem. O capitalismo, até há pouco tempo o pior sistema com excepção de todos os outros, foi progressivamente piorando a sua capacidade de lidar com esta aspiração, vindo até a estranhar e a recusar o conceito.

Parece mais ou menos evidente, para quem tenha uma ideia positiva para o destino da humanidade, que o ócio não deveria ser tratado com desprezo, como infelizmente é por algumas pessoas — quando tratam, claro, do ócio dos outros.

O ócio pode, evidentemente, ser reduzido (ou, no limite, suspenso) quando as circunstâncias a isso obrigam. Mas não deve desaparecer do horizonte filosófico e político, e muito menos ser ilegitimado, diabolizado, censurado como um capricho ou um vício desprezível da humanidade.

Isto dito, é bom recordar que a folga no Carnaval é uma tolerância, não um feriado instituído. Esta é uma altura em que o bom senso nos diz que a tolerância deve ser levantada. O recurso intensivo à indulgência não devia dar uma nova semântica as palavras, instituir pela tradição o que não está instituído pela legislação. De momento, precisamos de trabalhar — para estarmos no futuro de novo em condições de reclamar e aumentar o nosso direito ao ócio, por mais que isso venha a desagradar aos donos da economia.

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