Será que os tipos da direita situacionista que hoje orbitam Rentes
de Carvalho (e são tantos) lêem com toda
a atenção tudo o que ele escreve e
diz?
segunda-feira, 24 de março de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
Efemérides
Olhando o país e o mundo, as minhas indagações remontam a 1914 e 1939 e ao que sentiam os tipos de 45 anos que eram resgatados da reserva para um qualquer contingente activo. Ou talvez, na verdade, indague mais atrás na História, 1908 e um voluntariado na Carbonária.
terça-feira, 18 de março de 2014
Corram...
...a ler a bela série de «Postais de um fotógrafo de bairro» de José Bandeira. O melhor cartoonista português é também um admirável escritor. Se houver um módico de justiça entre o céu a terra (onde dizem haver muita coisa), um dia seremos presenteados com um livro de José, ele que já nos estraga com mimos desenhados.
domingo, 16 de março de 2014
Cursos sem sentido
Sobre as declarações de Passos Coelho mencionadas no post anterior, Rui Rocha tem no Delito de Opinião o comentário adequado.
sábado, 15 de março de 2014
«Os senhores professores», disse ele
Anteontem ouvi na rádio Passos Coelho acusar algumas universidades de
manterem cursos sem procura e sem pertinência apenas para «os senhores
professores» poderem dar aulas. Não é a questão da racionalidade da oferta
universitária que aqui me interessa (sobre isso já discorri antes de
haver crise). É o tom, a forma como Coelho expeliu aquele «senhores
professores». Há expressões que dizem tudo, traem pensamentos e sentimentos. O
Primeiro-Ministro naquela frase não acusou apenas as universidades de
irrazoabilidade — achou também abusivo que os senhores professores quisessem
dar aulas. Sem o dizer, achou absurdo que os senhores professores quisessem
trabalhar.
Vinda de um Primeiro-Ministro que se opôs a qualquer medida capaz de criar
emprego, vinda de um PM que favoreceu com a alegria e a jovialidade dos fanáticos
a degradação do emprego (ou quando muito o emprego com salários de insulto), esta sua
«racionalidade» na organização do Estado parece tão científica e altruísta
quanto a «medicina» de Josef Mengele.
sexta-feira, 14 de março de 2014
O pimba do Senhor
Nos meus tempos de adolescente e néscio (com os anos, abandonei a
primeira condição), achei assaz progressista, apesar do traje, um franciscano
que me incitou a levar o baixo eléctrico para cima de um palco onde se cantavam
hinos ao Senhor. Passou-se isto no catolicismo e numa era anterior à editora
Flor Caveira, do evangélico Tiago (Guilul) Cavaco. O pioneirismo católico,
aliás, havia-se já manifestado quando na década de setenta a Igreja sobrepôs
letras de excitação beata a canções de Bob Dylan. E o aggiornamento não mais parou. Hoje, muito modernas formações musicais
louvam o Senhor como aos domingos à tarde se louva na TVI a genitália feminina:
com vocalista trejeitoso e partenaires gesticulantes, comprimidas em slim jeans ou calças de lycra e t-shirts
um número abaixo. (Se não tivesse visto, não seria capaz de imaginar isto.)
A estética e o sentido coreográfico pimba são tão omnipresentes em
Portugal quanto Deus Ele Mesmo. E mais influentes. Não admira que a própria
Igreja ache natural que, em palco, se declare amor a Cristo com os passos, os
gestos, a melodia, o instrumental e os coros que geralmente se usam na TVI para,
com trocadilhos e metáforas de baixa extracção, se aludir a fodas, minetes e
broches.
De resto, se é popular, a Igreja procura absorver, como sempre fez com qualquer
ritual pagão. Que se lixe a estética e a lógica, se isso lhe permitir recensear
mais umas almas (importa-lhe mais a estatística das almas do que as suas práticas).
Não se pode é a Igreja admirar que os aleluias gritados no apogeu dos cânticos
passem a ter outra conotação e o êxtase deixe de ser místico.
P.S.: «E nós… pimba, Senhor», poderia ser uma resposta moderna ao «crescei
e multiplicai-vos», não fosse a contracepção.
P.S.2: Já no Natal, poderiam substituir-se as estrofes gastas do «Noite
Feliz» por versos mais modernos: «Mas quem será? Mas quem será? Mas quem será /
O pai da criança, eu sei lá, sei lá… eu sei lá, sei lá...»
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