Mapplethorpe, Patti Smith, Man Ray e uma pirâmide do Egipto num presépio ateu.
Bom Natal!
«A potência censora e nefasta do politicamente correcto é real, sim; o problema é toda a porcaria que entretanto se tem incluído na pastilha do remédio: já não há facho, xenófobo, racista, anti-semita e o raio que não se sinta vítima do — e, portanto, legitimado pelo — politicamente correcto. De quem antes se dizia boçal passou a dizer-se politicamente incorrecto, uma coisa boa, na medida em que é o contrário dessa coisa má que é o politicamente correcto.»
«Um espaço político como o da direita das liberdades não pode resignar-se à apresentação de populistas como Bolsonaro ou Orban, lamento. Tem obrigação de saber canalizar as frustrações, as ansiedades, o desespero, para um projeto positivo, integrador, mobilizador.»O próprio João Miguel Tavares escreveu já dois textos impecáveis, mas depois voltou ao de sempre, com a velha e de momento inútil lengalenga da 'esquerda criadora de monstros' — o que nos põe a pensar se os artigos anteriores não foram apenas para alívio de consciência e registo histórico:
«Eis então o único mérito de Bolsonaro: ter criado uma circunstância perfeita para percebermos não só quem é de esquerda e de direita, mas sobretudo quem ainda se indigna com o discurso deste homem,inadmissível numa sociedade decente, e quem tem um ódio tal à ideologia de esquerda que está disposto a tolerar tudo.»Do Ouriquense.