quarta-feira, 19 de março de 2014

Efemérides

Olhando o país e o mundo, as minhas indagações remontam a 1914 e 1939 e ao que sentiam os tipos de 45 anos que eram resgatados da reserva para um qualquer contingente activo. Ou talvez, na verdade, indague mais atrás na História, 1908 e um voluntariado na Carbonária.

terça-feira, 18 de março de 2014

Corram...

...a ler a bela série de «Postais de um fotógrafo de bairro» de José Bandeira. O melhor cartoonista português é também um admirável escritor. Se houver um módico de justiça entre o céu a terra (onde dizem haver muita coisa), um dia seremos presenteados com um livro de José, ele que já nos estraga com mimos desenhados.

sábado, 15 de março de 2014

«Os senhores professores», disse ele

Anteontem ouvi na rádio Passos Coelho acusar algumas universidades de manterem cursos sem procura e sem pertinência apenas para «os senhores professores» poderem dar aulas. Não é a questão da racionalidade da oferta universitária que aqui me interessa (sobre isso já discorri antes de haver crise). É o tom, a forma como Coelho expeliu aquele «senhores professores». Há expressões que dizem tudo, traem pensamentos e sentimentos. O Primeiro-Ministro naquela frase não acusou apenas as universidades de irrazoabilidade — achou também abusivo que os senhores professores quisessem dar aulas. Sem o dizer, achou absurdo que os senhores professores quisessem trabalhar.

Vinda de um Primeiro-Ministro que se opôs a qualquer medida capaz de criar emprego, vinda de um PM que favoreceu com a alegria e a jovialidade dos fanáticos a degradação do emprego (ou quando muito o emprego com salários de insulto), esta sua «racionalidade» na organização do Estado parece tão científica e altruísta quanto a «medicina» de Josef Mengele.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O pimba do Senhor

Nos meus tempos de adolescente e néscio (com os anos, abandonei a primeira condição), achei assaz progressista, apesar do traje, um franciscano que me incitou a levar o baixo eléctrico para cima de um palco onde se cantavam hinos ao Senhor. Passou-se isto no catolicismo e numa era anterior à editora Flor Caveira, do evangélico Tiago (Guilul) Cavaco. O pioneirismo católico, aliás, havia-se já manifestado quando na década de setenta a Igreja sobrepôs letras de excitação beata a canções de Bob Dylan. E o aggiornamento não mais parou. Hoje, muito modernas formações musicais louvam o Senhor como aos domingos à tarde se louva na TVI a genitália feminina: com vocalista trejeitoso e partenaires gesticulantes, comprimidas em slim jeans ou calças de lycra e t-shirts um número abaixo. (Se não tivesse visto, não seria capaz de imaginar isto.)
A estética e o sentido coreográfico pimba são tão omnipresentes em Portugal quanto Deus Ele Mesmo. E mais influentes. Não admira que a própria Igreja ache natural que, em palco, se declare amor a Cristo com os passos, os gestos, a melodia, o instrumental e os coros que geralmente se usam na TVI para, com trocadilhos e metáforas de baixa extracção, se aludir a fodas, minetes e broches.
De resto, se é popular, a Igreja procura absorver, como sempre fez com qualquer ritual pagão. Que se lixe a estética e a lógica, se isso lhe permitir recensear mais umas almas (importa-lhe mais a estatística das almas do que as suas práticas). Não se pode é a Igreja admirar que os aleluias gritados no apogeu dos cânticos passem a ter outra conotação e o êxtase deixe de ser místico.

P.S.: «E nós… pimba, Senhor», poderia ser uma resposta moderna ao «crescei e multiplicai-vos», não fosse a contracepção.

P.S.2: Já no Natal, poderiam substituir-se as estrofes gastas do «Noite Feliz» por versos mais modernos: «Mas quem será? Mas quem será? Mas quem será / O pai da criança, eu sei lá, sei lá… eu sei lá, sei lá...»

Comportamentos desviantes

Reconhecemos uma alma gémea quando alguém que entra no shopping, depois de puxar para si a grande porta envidraçada, volta a fechá-la e de novo a abre apenas para confirmar que, sim, a porta faz um barulho cómico, humanóide, que apetece ouvir outra vez. Depois da breve pausa na frivolidade do mundo, ele entra e eu saio, sorrindo ambos de portas que adoptam comportamentos desviantes.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Aparências

1.
São meia dúzia em volta da mesa de pedra junto ao rio. Geralmente a mesa é usada, em tardes de furo ou gazeta escolar, para umas festas de álcool, para enrolar e partilhar uns charros. Os grupos exclusivamente femininos são talvez menos frequentes, mas lá está a atitude semiclandestina, lá estão os risinhos langorosos e cúmplices, os corpos dobrados em tenda conspirativa sobre o centro da mesa. E no entanto, quando se abre um pouco a corola de adolescentes primaveris, o que aparece a ser transaccionado ali no meio é um banal frasco de verniz de unhas, como num cliché da Ragazza.

2.
O rapaz vem de praticar desporto, calções, t-shirt suada, cabelos molhados, sweatshirt atirada sobre um ombro. As três raparigas aproximam-se entre embaraçadas e conspirativas, com segredinhos e empurrando-se umas às outras. Cortejam-no. De saia ou vestidos coquetes, alguma pintura no rosto, parecem saídas da mesma edição da Ragazza atrás referida. Ou de um quadro mais antigo, de um que tenha fixado a óleo uma tarde bucólica no parque. Porém a oralidade trá-las de volta ao futuro. Tendo talvez sido contrariada, uma delas abandona a discrição, a corte vintage, e dispara à colega um sonoro «vai-te foder, caralho», que o rio devolve em eco. O rapaz não parece sentir que se tenha desfeito o encanto, continua a atrasar o passo e a controlar a distância e os risinhos pelo canto do olho.

3.
Pequeno gangue, vêm subindo a rua. Cortes de cabelo, roupas, calçado, balanço do corpo, tudo de acordo com o modelo rebelde sem causa, vulgo arruaceiro. Param de súbito a conversar animadamente, ruidosamente, belicamente, ocupando metade da via de trânsito e todo o passeio. Os carros ultrapassam-nos em pequeno e conformado slalom. Os peões contornam-nos por fora, como vítimas de bullying fugindo à palmada nas costas. A descer a rua, avanço a direito com a inércia e uma vaga intenção de reivindicar o meu direito a um vector no passeio. Estendo o braço para abrir alas e o distraído rapaz à minha frente estremece de susto, como se acabasse de ser abordado por um assaltante. Desvia-se, cordial, e eu continuo caminho, a rir-me do ridículo. Do meu ridículo.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A vitoriosa trimestralidade da LER (1)

O Correio da Manhã, esse pândego, considerou uma boa notícia a LER passar (ou regressar) a uma periocidade trimestral. Pelo menos a seta junto à informação apontava para cima (recebendo como troco uma farpa de Rui Zink no Facebook). Para mim, esta alteração pode de facto ser uma boa notícia: se a revista aumentar o conteúdo, como prometido, e mantiver o preço de 5 euros, talvez, bem contados os trocos, possa voltar a comprá-la.

Mas esta renovação da LER («sem lamentos nem desculpas») só é uma vitória ou uma boa notícia porque estamos demasiado habituados a más notícias. Podemos, nestes tempos de cinza, considerar uma vitória a LER conseguir manter-se, ainda que trimestralmente; podemos considerar uma boa notícia a LER simplesmente não acabar, como seria possível e de certo ponto de vista até provável. Mas estas são as vitórias simbólicas da Resistência, destinadas a manter o moral. Verdadeira vitória e boa notícia sem sombra de eufemismo seria a LER renovar-se e aparecer com «mais páginas, mais reportagens, mais profundidade e densidade» mantendo a edição mensal.

Assim, concluímos apenas que o país não tem dinheiro nem leitores suficientes (ou suficientes leitores com dinheiro, numa versão optimista) para uma revista mensal de livros.

Assim, a muito custo afastamos o motejo: de vitória em vitória até à derrota final.

A vitoriosa trimestralidade da LER (2)

Muitos anos, circunstâncias, instituições e pessoas contribuíram para o retrocesso da LER à periodicidade trimestral. Paulatinamente, o livro (e não falo em particular do romance) foi banido das televisões, das escolas, das universidades, dos jornais (guetizado em suplementos a que prescreveram uma dieta crescente), dos discursos políticos, das conversas em geral. Uma ou duas gerações de dirigentes partidários e institucionais particularmente plebeias, particularmente representativas da boçalidade e do arrivismo nacionais, foram suficientes para consumar o desaparecimento do livro — e a geração que lhes há-de suceder nem sequer consegue soletrar a palavra.

Considerando retoricamente que há uma saída para a crise, a LER é uma daquelas coisas que já não recuperaremos. A não ser que o país deixe de recrutar ministros e directores-gerais nas jotas, e que os ministros deixem de confundir “representar” com “mimetizar” o povo. A não ser que os intelectuais de direita parem de ter como maiores inimigos os intelectuais de esquerda, e estes, aqueles. São aqui menos relevantes as fracturas entre a esquerda e a direita do que as que existem entre o país e um leitor de livros, e a Resistência bibliófila precisa de todos os intelectuais — os que escrevem no Correio da Manhã e os que escolhem o Correio da Manhã para embrulhar o peixe.

sábado, 1 de março de 2014

Pequenos retratos infames (2)

Helena Matos

Há uns anos entrevistei Helena Matos numa esplanada da Gulbenkian e, mesmo que a incompetente entrevista que publiquei não dê disso conta, fiquei com a sensação perturbadora de que em alguns momentos estava na presença de um espírito fanático. Por certos assomos de cólera, certas obsessões, certa impiedade. Sacudi a ideia da cabeça mas a passagem do tempo, receio, viria a dar razão ao pressentimento. Na altura fui ter com ela porque gostava da sua iconoclastia no Público, mas hoje verifico com desolação que aquilo que eu achava ser rebeldia tinha muito de facciosismo à espera de vez. Assim que a direita neocon (muitos não gostam do termo, mas desconfio que ela não se importa), na sua versão lusa, subiu ao poder, o que era nela desalinhamento, pensamento politicamente incorrecto, revelou-se engajamento, zelo, farisaísmo. Não necessariamente por fidelidade a um partido ou a um governo, mas a um ideal, ao ideal. A investigadora parecia um ser livre, contestatário, questionador, mas era sobretudo uma opositora (muitíssimas vezes com razão) de quem governava à época. O tempo, que tudo apura, agiu nela empedernindo-lhe (ainda mais) o coração e barricando-lhe as ideias na viela mais obscurantista por onde às vezes andava. Lê-la sobre homossexualidade, arte, direitos dos cidadãos e não a imaginar com bigode e pêra de inquisidor do Santo Ofício, como um ayatollah de calças, é um feito de que já não sou capaz, lamento. O seu retrato grava-no-lo ela a fogo, diligentemente, com requintes e provavelmente orações fervorosas, artigo após artigo, post atrás post.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Espírito de grupo

Além de Porta dos Fundos, acompanho desde cedo outro fenómeno de popularidade nascido na Internet: Walk off The Earth. Neste caso trata-se de um grupo de música canadiano que, celebrizado sobretudo pelos seus vídeos inventivos, acabou a fazer digressões mundiais. Embora a música original de WOTE nem sempre seja especialmente boa (ou, pronto, do meu agrado), admiro sem reservas o espírito do grupo e o seu “espírito de grupo”, de "comunidade".
Em ambos os casos há talento, gente educada, espirituosa, sofisticada, com acesso a tecnologia. Mas há sobretudo um bando de amigos que se diverte à maluca a fazer (muito bem e livremente) o que gosta. Porra, como os invejo!


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Cansado da guerra

Furtei-me ao dever (as Metamorfoses de Ovídio) para ler o artigo sobre Brideshead Revisited numa LER emprestada. Soube que Evelyn Waugh pediu uma licença da guerra para escrever o romance. Eu já revisitei a minha Brideshead em dois livros— mas, ah!, de bom-grado metia uma licença para tentar de novo, falhar melhor.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Congresso dos recreios

Na série “Diziam”, de Pedro Correia, no Delito de Opinião, só faltou acrescentar que o que aconteceu contra o que "diziam" aconteceu decerto também contra os desejos íntimos do infame Passos. A coisa mais relevante que aconteceu de acordo com o vermículo Passos foi talvez o regresso, em seu tempo apalavrado, do sósia Relvas.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A última dança

O vídeo da companhia Rubberbandance que inspirou o post anterior não é necessariamente o mais representativo. Sê-lo-iam mais estes espectáculos da companhia Peeping Tom: http://youtu.be/KlrXPVZG5Ho(“32 rue Vandenbranden”); http://youtu.be/NwACVrZIuVg (“Les Sous Sol”); ou este, da C de la B: http://youtu.be/pyQrK_Q2HOo (“Ashes”), vistos em Guimarães e no Porto. Por outro lado, várias companhias ou coreógrafos portugueses poderiam também elucidar o que disse no post. Neste campo, como de resto nos mais variados géneros musicais e no teatro, o país não padece de talento e profissionalismo como padece por exemplo na política e na gestão. A juntar-se a ex-elementos do Ballet Gulbenkian e da Companhia Nacional de Bailado, há uma nova geração de intérpretes (e coreógrafos) com formação sólida, experiência (tantas vezes internacional) e talento que infelizmente terá agora menos oportunidades de desenvolver o seu trabalho. O Portugal dos últimos anos — «europeu» no sentido civilizado, culto, sofisticado, cosmopolita, democrático e descentralizado que se costuma utilizar para falar da Europa central —, o país onde as pessoas podiam fruir o seu gosto pela dança contemporânea sem precisarem de se deslocar com demasiada frequência a Lisboa, muitas vezes sem precisarem sequer de sair da sua cidade ou da cidade de província que por algum acaso estavam a visitar, está a terminar. A troika, o governo e o statu quo encarregar-se-ão de devolver o país à condição de provinciano e de gosto único.

Dança contemporânea

["Gravity of Center", Rubberbandance: http://vimeo.com/30708149]

Gosto de música, de pintura, de cinema, de dança, de literatura, de teatro, e gosto de tudo isto com um eclectismo bem pronunciado, que em certos momentos — na presença de certa fidalguia artística menos condescendente— se pode tornar embaraçoso. Mas, de todas as artes, a que mais me arrebata é a dança. Não a dança clássica ou de salão (aqui o eclectismo retrai-se). Refiro-me à dança contemporânea.
Não sou um indefectível da arte contemporânea. Nem sequer da arte moderna. Ou modernista. Há movimentos ou tendências do século XX que deixaram sementes e eu dispenso fora do seu contexto histórico e fora da história das ideias, ou das atitudes. Acresce que o verniz de leituras, viagens, idas a museus e teatros não sepultou de todo o rapazola que no fim a província manteve enredado: por vezes dou por mim a olhar para algumas obras como um tradicional boi a olhar para um palácio. (Porém, um boi que não investe.)

Mas sou certamente alguém que se aborrece com águas estagnadas, com o gosto tradicional ou massificado, com a ingenuidade popular, com a pomposidade e a arte mecânica, imitativa, evocativa, desinspirada, insensível, medíocre, atrofiante.
Do ballet clássico, por exemplo, interessa-me apenas a música. Se tenho o azar de entrar numa sala onde se dança uma dessas peças, fecho os olhos e passo um bom bocado — que é ainda melhor se há orquestra ao vivo.
De resto, por alguma razão o ballet clássico se tornou “popular”, enchendo coliseus, e virou fetiche de elementos de todas as classes (alta, média e baixa), que acorrem a ele com entusiasmo e casacos de pele como a um ritual, a uma festividade religiosa, a uma vernissage, na sua ânsia de emular nos hábitos e na pose fútil a elite aristocrata há muito destronada.

A dança contemporânea — expressão aliás vaga, equívoca, designando desde peças efectivamente de dança a performances; de teatro físico ou de objectos a produções multidisciplinares e transdisciplinares; de momentos de expressão corporal a happenings — a dança contemporânea, dizia, aquela de que eu mais gosto, confunde-se com algum teatro e raramente deixa de lado ou menoriza a música, ou uma criativa sonoplastia. Está consciente da história da dança e das suas múltiplas expressões — clássicas ou primitivas, de salão ou de rua, urbanas ou folclóricas —, e não desdenha cumplicidades com a palavra e a atitude teatral. De certo modo, em muitos casos, é aquilo a que eu chamaria a ópera dos dias de hoje: um espectáculo global expressionista, que se absorve mais com os sentidos do que com a razão. Como se lia num título do Público, «uma dança que não é para perceber, é para sentir».

N’Os Idiotas, a minha «novela picaresca» (assim se referiu ao livrinho um ilustre leitor), uma personagem definia a dança contemporânea da seguinte maneira… picaresca: «um reboliço caótico onde, espantosamente, era possível ainda assim perceber disciplina, padrão, coreografia. Aquelas pessoas no palco assemelhavam-se a vítimas de trombose, doentes epilépticos, loucos saídos do hospital psiquiátrico, mas no meio do frenesim, dos transes, das convulsões e das quedas percebia-se que exerciam autoridade sobre os seus membros. Pareciam desajeitadas porque tinham decidido ser desajeitadas. Caíam, mas levantavam-se por si mesmas. Derrubavam objectos no palco porque estava no guião derrubar objectos no palco. Eram, enfim, donas do seu corpo e da sua vontade.» E também fazia um paralelismo com o ballet: «[…] o que distinguia a dança contemporânea da clássica era o que distinguia o caos da ordem. O ballet clássico tentava uma tal harmonia e uma tal perfeição que se tornava artificial e enfadonho. A dança contemporânea parecia mais ligada ao erro e à vida quotidiana dos corpos, mesmo que na maior parte das vezes se tratasse de corpos atormentados», interpretados por gente com um «perfil fibroso e elástico».

No texto do Público referido atrás, um coreógrafo fala da sua arte como uma coisa «abstracta» e «poética» e eu acho que ele tem razão. É de poesia que se trata, quando as peças são boas e nos enfeitiçam. Talvez não as possamos explicar, ou o que delas entendemos nem sequer se aproxime das intenções do coreógrafo/encenador (que quando é avisado não manifesta intenções, não muito específicas, pelo menos; não escreve sinopses detalhadas do indescritível). Perante a dança contemporânea julgo que nos devemos simplesmente sentar, disponíveis para sermos estimulados, desafiados através dos olhos, dos ouvidos e das entranhas; disponíveis para termos a epiderme da alma (passe a imagem pateta) titilada, acariciada, massajada. Em muitos casos, nos melhores, é também a nossa inteligência que, além de respeitada, é sugestionada, a nossa imaginação expandida.