Citação do 31 da Armada no Público de ontem: «A Standard & Poor’s baixou o rating da dívida americana de longo prazo. Como é que ficam os teóricos (…) da teoria da conspiração americana contra a Europa?»
A precisar de rever a sua teoria. A conspiração existe e não é de ordem geoestratégica, mas ideológica. Ou nem isso: apenas, digamos, pragmática, de interesses particulares. Os países conspiram, naturalmente, mas o jogo no tabuleiro actual tem de um lado o capital (perdoem-me o palavrão e as suas conotações) e do outro a social-democracia. Obama é circunstancialmente americano, mas as suas ideias não tanto e escandalizam uma grande parte dos seus concidadãos, mormente os que mais beneficiam de um mundo regido pelos interesses monetários de uns poucos.
A S&P não agiu contra a América, mas contra Obama e o que ele representa. A minha teoria da conspiração diz que se o presidente fosse Bush ou um outro servidor da causa não haveria descida de rating. Sim, porque o endividamento para fazer guerras estúpidas (mas lucrativas para alguns, hélas) não é censurável, ao contrário do endividamento para sustentar políticas de interesse social, essa estanha forma de pensar.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Profetas em causa própria
Aparentemente, como se lê aqui e ali, o gesto da S&P iliba as agências de rating. Vejam, até baixam a cotação da América, como poderiam ser funestas estas agências? Como não reconhecer a isenção e a forma cristalina como actuam?
O Quarta República (igualmente citado pelo Público), a propósito do discurso de Obama, que, patrioticamente, clamou que os EUA serão sempre triplo A (como Sócrates faria – e Passos Coelho ou Cavaco depois dele), sugere que os governos deveriam ser geridos como empresas, e nas empresas os conselhos de administração abstêm-se, naturalmente, de interferir nas demonstrações financeiras. O Quarta República sugere que, tal como as demonstrações financeiras das empresas devem ficar a cargo de terceiros, “especializados”, os estados devem deixar a interpretação da sua saúde financeira às agências.
Sucede que as agências de rating não têm sido meros juízes imparciais. As suas opiniões determinam acontecimentos. Um pouco como quando um responsável da Porto Editora (um dos grandes grupos editoriais portugueses) prevê que os livros de poesia vão deixar de ser editados. É deste tipo de previsões auto-realizáveis que falamos.
O Quarta República (igualmente citado pelo Público), a propósito do discurso de Obama, que, patrioticamente, clamou que os EUA serão sempre triplo A (como Sócrates faria – e Passos Coelho ou Cavaco depois dele), sugere que os governos deveriam ser geridos como empresas, e nas empresas os conselhos de administração abstêm-se, naturalmente, de interferir nas demonstrações financeiras. O Quarta República sugere que, tal como as demonstrações financeiras das empresas devem ficar a cargo de terceiros, “especializados”, os estados devem deixar a interpretação da sua saúde financeira às agências.
Sucede que as agências de rating não têm sido meros juízes imparciais. As suas opiniões determinam acontecimentos. Um pouco como quando um responsável da Porto Editora (um dos grandes grupos editoriais portugueses) prevê que os livros de poesia vão deixar de ser editados. É deste tipo de previsões auto-realizáveis que falamos.
Caos e anarquia
E já que estamos a falar de profetas e conspirações, fechemos em tom apocalíptico. Em Tony Judt pode ler-se que o estado social, nas suas diferentes formas, não foi apenas uma admirável criação generosa, altruísta, dos governantes do pós-guerra. Foi o resultado de uma leitura diligente da história das primeiras décadas do século XX. É preciso manter a classe média apaziguada – era esta a lição –, livre da influência de demagogos e dos seus próprios instintos aniquiladores. Os demónios à solta em França, na Grécia e agora na Inglaterra (para não falar nos países árabes) deveriam fazer soar campainhas. Mas não. Os mercados são mais importantes. No meio do caos e da anarquia, os condomínios de investidores e especuladores, vigiados por empresas de segurança privadas, hão-de sobreviver. Porquê preocupar-nos?
sexta-feira, 29 de julho de 2011
A arte de demolir
Talvez não seja culpa dele (não é certamente), mas pelo que se vai lendo na imprensa o Secretário de Estado da Cultura parece mais um liquidatário, alguém contratado pelo Governo para conduzir o processo de falência de uma pasta. Começou pela auto-despromoção: Viegas deve ser o único convidado para um cargo que impôs como condição prévia a imediata regressão na carreira. Nos últimos dias, a imprensa citou-o a determinar que Portugal tem equipamentos culturais a mais. Deverá seguir-se, naturalmente, o anúncio de que a SEC cabimentou uma verba para explosivos.
Era uma ideia antiga pensar-se que os ministros e os secretários de estado concebiam e aplicavam políticas de gestão e de fomento da área que tutelavam. Hoje sabe-se que não é assim. Um ministro do ambiente não é necessariamente alguém que se preocupa com o ambiente. Pode simplesmente ser o tipo que facilita a aprovação dos PINs, pouco mais do que o funcionário que põe os carimbos, uma espécie de insider a trabalhar para a indústria.
Na cultura, um secretário de estado pode ser apenas alguém que vem corrigir a malta, acabar com veleidades. Chama-se secretário de estado mas poderia chamar-se, à boa maneira antiga, inspector, o tipo que vinha de fora observar o comportamento de determinada classe profissional e, geralmente, levantava uns autos e recomendava umas punições exemplares.
Segundo a imprensa, o Secretário disse que não há público para tantos equipamentos. A gente, iludida, esperaria ler no parágrafo seguinte as medidas que o Estado iria pôr em prática para formar públicos (porque, ao que parece, população ainda vai havendo). Mas não, ingénuos. A Secretaria de Estado, tanto quanto é sabido, não se deteve nesse item — talvez ocupada a trocar impressões com a Secretaria das Obras Públicas sobre os melhores métodos de demolição.
Numa entrevista ao I em 14 de Maio, o futuro SEC perguntava-se: «Como é que é possível ter público se as escolas não têm educação artística?» Imaginava a gente que isto era uma pergunta programática, algo que enunciava uma estratégia. Agora sabe-se que não. Era apenas uma constatação. Na verdade, o que ali se dizia era: uma vez que as escolas não têm ensino artístico, não é possível ter público. Não havendo público, há equipamentos a mais. Logo, implodam-se equipamentos.
Não estava na entrevista, mas a gente, seguindo aquela linha de pensamento (errónea, como já vimos), poderia ser levada a fazer outras perguntas. Tipo: como é possível haver público se as televisões, com a RTP1 à cabeça, são monumentos à indigência intelectual, super-activas agências de promoção da cultura pimba? Como é possível haver públicos se na própria RTP1, que os nossos impostos pagam, qualquer coisa que cheire a bom gosto (para não falar em arte ou qualidade) é de imediato banida?
A resposta a esta questão parecia-nos ser já conhecida, parecia estar no programa eleitoral do PSD: imploda-se a RTP1… Ok, não era bem isto. O que aquelas almas liberais propunham era a privatização de um canal da RTP. (Repare-se: um canal da RTP. Assim desta forma vaga. Teriam a esperança de que alguém pegasse por elas na RTP2 e fizesse o serviço público que o Estado não faz? Ou foi apenas a maneira bizarra que arranjaram de dizer que vendiam um canal mas ficavam com a máquina de propaganda?)
A privatização de um canal da RTP não é bem uma implosão. O edifício destruído não serve para mais nada, enquanto o edifício privatizado, e isto é importante, permite que a merda continue a ser feita. (Felizmente já sem os nossos impostos.) De resto, ao Estado não compete formar (ou proteger) culturalmente os cidadãos, dirão.
Mais à frente na mesma entrevista ao I, o Secretário de Estado acrescentava: «Não podemos ter gente culta se não tivermos quem tenha contacto com bens da cultura.» Ora, isto pode resolver-se, pensou a SEC. Pode resolver-se pela, por assim dizer, disseminação de equipamentos. Isto não é incoerência, trata-se de outro tipo de disseminação. Tal como milhares tiveram contacto com a História quando guardaram o seu recuerdo do Muro de Berlim, milhares poderão ter o seu pedaço de cultura se os equipamentos forem redistribuídos — depois de implodidos.
Sabendo-se que, ao contrário do que o vulgo acredita, o Estado não tem investido praticamente nada nos equipamentos culturais do país (pelo menos fora de Lisboa e Porto), intriga um pouco esta preocupação com o excesso de equipamentos. Terá afinal a SEC em mente uma política de, digamos, fomento cultural? É um bocado estranho, mas pode acontecer, sabe-se lá.
Talvez a SEC, num devaneio, tenha pensado: «Ora vamos lá contribuir para o desenvolvimento, para a descentralização cultural, para a democratização do acesso à cultura.» Depois, a SEC pegou na máquina de calcular e descobriu que o que tinha para investir era uma miséria, se tivesse de o dividir nem para uma bica dava. Portanto: implodam-se equipamentos culturais.
Ainda na (pela minha mão agora famosa) entrevista ao I, lia-se «…as câmaras patrocinam através das empresas [municipais] a música pimba.» Eis uma preocupação séria. E não se pense que a SEC deixou de estar preocupada com o assunto. Não. Continua muito, muito preocupada. A SEC sabe que, sem o Estado e em época de crise, as câmaras cortarão no seu investimento cultural (como aliás lhes é pedido). A SEC sabe que os equipamentos culturais (que nos últimos dez anos deram uma ilusão de cosmopolitismo e descentralização ao país) correm o risco de ficarem sub-orçamentados. E a SEC sabe que as câmaras patrocinam a música pimba. A SEC sabe que música pimba será quase tudo o que os equipamentos culturais darão ao país. A SEC não quer isso, mas, claro, está impotente. Portanto, a SEC não tem dúvidas que o melhor é (isso mesmo, todos em coro) — implodir equipamentos culturais. Quem sentir falta pode sempre deslocar-se ao Porto ou a Lisboa, consoante der mais jeito. Era assim antigamente, que mal tem se voltar a ser?
Era uma ideia antiga pensar-se que os ministros e os secretários de estado concebiam e aplicavam políticas de gestão e de fomento da área que tutelavam. Hoje sabe-se que não é assim. Um ministro do ambiente não é necessariamente alguém que se preocupa com o ambiente. Pode simplesmente ser o tipo que facilita a aprovação dos PINs, pouco mais do que o funcionário que põe os carimbos, uma espécie de insider a trabalhar para a indústria.
Na cultura, um secretário de estado pode ser apenas alguém que vem corrigir a malta, acabar com veleidades. Chama-se secretário de estado mas poderia chamar-se, à boa maneira antiga, inspector, o tipo que vinha de fora observar o comportamento de determinada classe profissional e, geralmente, levantava uns autos e recomendava umas punições exemplares.
Segundo a imprensa, o Secretário disse que não há público para tantos equipamentos. A gente, iludida, esperaria ler no parágrafo seguinte as medidas que o Estado iria pôr em prática para formar públicos (porque, ao que parece, população ainda vai havendo). Mas não, ingénuos. A Secretaria de Estado, tanto quanto é sabido, não se deteve nesse item — talvez ocupada a trocar impressões com a Secretaria das Obras Públicas sobre os melhores métodos de demolição.
Numa entrevista ao I em 14 de Maio, o futuro SEC perguntava-se: «Como é que é possível ter público se as escolas não têm educação artística?» Imaginava a gente que isto era uma pergunta programática, algo que enunciava uma estratégia. Agora sabe-se que não. Era apenas uma constatação. Na verdade, o que ali se dizia era: uma vez que as escolas não têm ensino artístico, não é possível ter público. Não havendo público, há equipamentos a mais. Logo, implodam-se equipamentos.
Não estava na entrevista, mas a gente, seguindo aquela linha de pensamento (errónea, como já vimos), poderia ser levada a fazer outras perguntas. Tipo: como é possível haver público se as televisões, com a RTP1 à cabeça, são monumentos à indigência intelectual, super-activas agências de promoção da cultura pimba? Como é possível haver públicos se na própria RTP1, que os nossos impostos pagam, qualquer coisa que cheire a bom gosto (para não falar em arte ou qualidade) é de imediato banida?
A resposta a esta questão parecia-nos ser já conhecida, parecia estar no programa eleitoral do PSD: imploda-se a RTP1… Ok, não era bem isto. O que aquelas almas liberais propunham era a privatização de um canal da RTP. (Repare-se: um canal da RTP. Assim desta forma vaga. Teriam a esperança de que alguém pegasse por elas na RTP2 e fizesse o serviço público que o Estado não faz? Ou foi apenas a maneira bizarra que arranjaram de dizer que vendiam um canal mas ficavam com a máquina de propaganda?)
A privatização de um canal da RTP não é bem uma implosão. O edifício destruído não serve para mais nada, enquanto o edifício privatizado, e isto é importante, permite que a merda continue a ser feita. (Felizmente já sem os nossos impostos.) De resto, ao Estado não compete formar (ou proteger) culturalmente os cidadãos, dirão.
Mais à frente na mesma entrevista ao I, o Secretário de Estado acrescentava: «Não podemos ter gente culta se não tivermos quem tenha contacto com bens da cultura.» Ora, isto pode resolver-se, pensou a SEC. Pode resolver-se pela, por assim dizer, disseminação de equipamentos. Isto não é incoerência, trata-se de outro tipo de disseminação. Tal como milhares tiveram contacto com a História quando guardaram o seu recuerdo do Muro de Berlim, milhares poderão ter o seu pedaço de cultura se os equipamentos forem redistribuídos — depois de implodidos.
Sabendo-se que, ao contrário do que o vulgo acredita, o Estado não tem investido praticamente nada nos equipamentos culturais do país (pelo menos fora de Lisboa e Porto), intriga um pouco esta preocupação com o excesso de equipamentos. Terá afinal a SEC em mente uma política de, digamos, fomento cultural? É um bocado estranho, mas pode acontecer, sabe-se lá.
Talvez a SEC, num devaneio, tenha pensado: «Ora vamos lá contribuir para o desenvolvimento, para a descentralização cultural, para a democratização do acesso à cultura.» Depois, a SEC pegou na máquina de calcular e descobriu que o que tinha para investir era uma miséria, se tivesse de o dividir nem para uma bica dava. Portanto: implodam-se equipamentos culturais.
Ainda na (pela minha mão agora famosa) entrevista ao I, lia-se «…as câmaras patrocinam através das empresas [municipais] a música pimba.» Eis uma preocupação séria. E não se pense que a SEC deixou de estar preocupada com o assunto. Não. Continua muito, muito preocupada. A SEC sabe que, sem o Estado e em época de crise, as câmaras cortarão no seu investimento cultural (como aliás lhes é pedido). A SEC sabe que os equipamentos culturais (que nos últimos dez anos deram uma ilusão de cosmopolitismo e descentralização ao país) correm o risco de ficarem sub-orçamentados. E a SEC sabe que as câmaras patrocinam a música pimba. A SEC sabe que música pimba será quase tudo o que os equipamentos culturais darão ao país. A SEC não quer isso, mas, claro, está impotente. Portanto, a SEC não tem dúvidas que o melhor é (isso mesmo, todos em coro) — implodir equipamentos culturais. Quem sentir falta pode sempre deslocar-se ao Porto ou a Lisboa, consoante der mais jeito. Era assim antigamente, que mal tem se voltar a ser?
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Os EUA não são Portugal, apenas viajam no mesmo barco
Não vale a pena perder tempo a ponderar de que modo as palavras de Obama se relacionam com o brio nacional (luso e grego). Também não é crucial saber se em algum momento da história outro presidente dos EUA teve de lembrar a grandeza daquele país comparando-o com minorcas. E se isso revela um presidente enfraquecido ou desesperado. O que ressalta da famosa frase de Obama é o seu carácter involuntário de alarme, de sinal de falha da máquina. Algo está a colapsar no admirável mundo da economia: talvez afinal o sistema tal como o têm vindo a conceber não funcione.
Antes de privatizar o país, Passos Coelho devia deitar um segundo olhar à América, questionar a receita, duvidar da eterna bondade e eficácia dos mercados. Poupava-se algum trabalho quando, dentro de algum tempo, alguém tiver de apanhar os cacos na Europa e na América.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Notas para que a namorada não mais me acuse de ser direitista.
De repente, a Moody’s (para já ela) está errada, é mal intencionada, tem uma agenda, a bandida. Sócrates, percebemos agora, não era só um mau primeiro-ministro — era um argueiro no olho da direita portuguesa. Ou isso ou Passos Coelho é um colírio. Aquilo que nós, simples cidadãos ignorantes de economia, tínhamos intuído há meses, descobriu-o agora com horror a cândida direita lusa. Foi o país a eleições para quê? Para aliviar a conjuntivite da direita? Mas isso não devia ser função de um sistema de saúde privado? Como justificar perante a troika tamanho mau uso dos recursos nacionais?
2. O casus belli
Alguma da direita portuguesa que bloga ou opina nos jornais não é mal intencionada — é cândida. Ou estúpida. (A restante é estúpida e mal intencionada). A invasão do Iraque foi a primeira prova. Que candidez. Que deslumbramento. Que emoção. Desde os soldadinhos de chumbo nos egrégios mosaicos do solar-lá-nas-berças-onde-se-vai-uma-vez-por-Verão que não havia adrenalina assim. Depois, quando o embuste deu à costa, o espectáculo foi comovente. Houve confissões de candura que eram, por si só, epitáfios de um cérebro que se preza, a carta de despedimento que antecede um harakiri. (E contudo, como diria Galileu, esta direita continuou a mover-se.) Houve, em alguns casos, contorções que não envergonhariam as antigas ginastas… soviéticas. E, naturalmente, houve cinismo: precisamos do petróleo, não é? O dirty job que alguém tem de fazer — a direita mais que todos.
3. Mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma
Agora a mesma direita achou que o que fazia falta a Portugal era mudar de políticas, mudar de paradigma. Daí termos um governo mais troikista do que a troika — um herói trágico, peripatético, um Zezé Camarinha de estola a quem afinal as agências dizem I’m not in the mood.
Não ocorre a estas irrequietas sinapses de direita que o que faz falta a Portugal é mudar de práticas. A incompetência, o despesismo, o compadrio, a corrupção, o arrivismo são os grandes males da economia portuguesa, não a social-democracia que querem enterrar. Talvez Passos Coelho, depois de ter passado pela reunião dos autarcas portugueses (esmagadoramente PS e PSD, como se sabe), possa ter recordado algumas verdades sobre este assunto que nas últimas décadas tem unido laboriosamente tantos socialistas e pepedês.
4. Liquidação total
4. Liquidação total
Esta direita em Portugal não deveria ser governo — devia ser liquidada num mercado de (penas) capitais.
sábado, 7 de maio de 2011
Notícias da trincheira
Escritores a falar de livros, encenadores a falar de teatro, coreógrafos a falar de dança.
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