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quarta-feira, 23 de outubro de 2019
LER de Verão
Saiu mais uma edição da LER e está de apetite. Assinalo três novidades (e continuo uma tradição): 1) este número das revista não inclui as páginas com os livros do trimestre; 2) os Manifestos de Francisco José Viegas foram publicados no blogue posteriormente (embora, como antes, sejam repescados do Correio da Manhã); 3) não há Manifestos de Bruno Vieira Amaral (mas isso só dá conta quem como eu tem a picuinhice de ir confirmar as iniciais que assinam os textinhos).
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
Diário de uma boina Basca
Quando soube que Vasco Pulido Valente regressara aos jornais com um diário publicado semanalmente no Público,
não saquei logo a pistola porque não uso, mas pensei de imediato no prazer de
me lançar na escrita contrapontística de um diário anti-Vasco. Saiu-me na hora um
título e tudo: Diário de uma boina basca.
Durante uma semana diverti-me com a ideia e sobretudo com o título — mas não me
sentei ao computador. Quando finalmente o fiz, senti desolação: eu
não ia querer obrigar-me semanalmente a ler aquela prosa sádica que, sob o
argumento altruísta de nos mostrar o mundo como ele é, dedica fervor e fel à
defesa de um péssimo mundo possível mas não inevitável.
Para alguns bem-intencionados, a escrita alegadamente irónica
de Vasco cumpre hoje o papel das farpas de Eça de Queirós. Tem o mesmo espírito
endiabrado, o gosto de fustigar a nação. É certo que, como Eça, Vasco procura o
efeito e pretende ver o país por uma luneta. Mas o sátiro Eça elevava-se. O
sarcástico Vasco entrincheira-se. As suas frases têm o resultado, por vezes implícito mas
dificilmente involuntário, de defender posições conservadoras e cínicas.
Outros dizem que em certos aspectos a escrita de Vasco ressuma
anacronia como a de Eça. Talvez apenas porque Vasco, historiador, engalana
frequentemente a sua prosa punitiva com as casacas e as polainas da época. Mas
na verdade, apesar das recorrentes alusões a figuras e factos do século XIX, nem
o próprio Vasco pretende confundir-se com Eça, salvo na inconfessada ambição estética
de ser o irónico-mor da pátria. E de facto os dois autores não se confundem: a décalage de Eça, morto de um século, não nos
tolda o riso; já a pátina reaccionária do plumitivo Vasco, agora
redivivo, mendiga pena.
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Punk is dead
Cruzei-me esta noite sem saber com Pedro Passos Coelho, essa nefanda
personagem da política portuguesa. Apertei a mão de uma das pessoas que o
acompanhava, mas não reparei no resto do trio. Quando me alertaram, já
ele ia ao fundo da rua, era tarde para mudar de passeio ou lhe dizer qualquer
coisa sentida.
Foi melhor assim. A rua não tinha passeios — e talvez eu deva conceder-me uma réstia de respeitabilidade social.
Por outro lado, tendo em conta que a minha espontaneidade costuma ser
de tendência cortês, foi bom não termos estado ao alcance de um braço. Ele provavelmente
tê-lo-ia estendido imitando o nosso conhecido comum ou por defeito da única profissão
que exerceu. Eu, ao invés de envergonhar todos os outros deixando a mão junto
ao corpo, ter-me-ia porventura envergonhado a mim mesmo correspondendo ao gesto.
terça-feira, 7 de junho de 2016
Being a hooligan
Por falar em aparências, um mundo liderado por Donald Trump (nos EUA) e Boris Johnson
(em Inglaterra) teria uma certa coerência — ideológica, sim, mas sobretudo estética.
Quem sabe não se revitalizava uma profissão em decadência a partir de meados de
Setecentos, quando o Barroco foi deixando de estar na moda: a dos peruqueiros.
Já estou a imaginar slogans profilácticos nas montras da Baixa e do Observador: «Proteja as suas ideias das
correntes de ar fresco: cubra-as com a melhor palha do Kansas».
Estou de acordo, não se deve argumentar contra alguém com
base nas suas características físicas. Mas o penteado destes dois faz por opção
própria parte da sua facúndia. Por isso, não se chega ao âmago do pensamento deles
sem penetrar na selva do couro cabeludo e sem cravar a picareta nas zonas mais
profundas do rizoma.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
A luta de Churchill e a luta de Hitler
Nos tempos que correm, parece boa ideia revisitar as Memórias da II Guerra Mundial, de
Winston Churchill. A direita, porém, que costumava andar de boca cheia com citações
ou episódios churchillianos, parece não achar o mesmo. Veja-se que simpatias
tem a direita, que líderes e discursos aplaude, que condescendência selectiva
pratica, que cinismo cultiva — da Alemanha à Inglaterra, da América ao Brasil,
passando pelas colunas do Observador.
Se não houvesse hoje razões ideológicas para rejeitar a direita, haveria as
companhias que ela escolhe.
Em 2016 cessaram os direitos autorais sobre Mein Kampf — que a Baviera assumira depois do final da guerra e da
morte de Hitler — e o Instituto de História Contemporânea de Munique-Berlim editou uma versão crítica com 3.500 notas que é já um best-seller. Inúmeros países querem os direitos de tradução
(para já negados).
Segundo os editores, o perfil do comprador é de pesquisadores e pessoas
interessadas em História. Talvez seja assim, mas não custa imaginar a direita a
contribuir para o sucesso de vendas do calhamaço apenas para questionar o rigor das notas. É, desconfio, uma
ocupação intelectual que muitos preferirão a, por exemplo, reflexões sobre a mestria na descrição histórica e biográfica
e sobre a brilhante oratória na defesa de
elevados valores humanos que o comité do Nobel viu nos escritos de Churchill.domingo, 10 de janeiro de 2016
Malefícios da idade?
Vasco Pulido Valente, vetusto comentador da imprensa, escreve isto:
Pelo que me pergunto se os meus amigos que ainda acham Vasco Pulido Valente o máximo da perspicácia e da análise política em Portugal não estarão a envelhecer tão mal como ele. Sendo que alguns destes amigos têm menos trinta anos do que o ogre que lhes os excita os neurónios.
«(…) neste tempo de euforia da esquerda, que a televisão e os jornais servilmente reflectem (…)».E nesse ínterim nós lemos os jornais todos do país, que andam a levar nas palmas Marcelo Rebelo de Sousa, partilharem, por exemplo, esta “notícia”, por estas ou outras palavras:
«Centeno gastou "integralmente" a "almofada" financeira»Como qualquer pessoa minimamente atenta sabe, nenhuma das afirmações acima é verdadeira.
Pelo que me pergunto se os meus amigos que ainda acham Vasco Pulido Valente o máximo da perspicácia e da análise política em Portugal não estarão a envelhecer tão mal como ele. Sendo que alguns destes amigos têm menos trinta anos do que o ogre que lhes os excita os neurónios.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Lição n.º 1
Muitas pessoas (e tantas delas são gente da informática ou das novas tecnologias) pensam que regras e convenções da escrita são uma espécie de capricho de gente conservadora, quando não uma demonstração de intolerância ou fascismo em relação a quem tem uma atitude mais «descontraída» com a língua e a escrita. Suponho que essas pessoas lêem pouco, ou apenas lêem o que escrevem. Ou ignoram regras e convenções quando escrevem porque na verdade se estão nas tintas para quem as vai ler.
O problema é quando algumas destas pessoas escrevem textos que, por uma razão ou outra, nos vemos forçados a ler. A sua forma «descontraída» de escrever geralmente significa que nós não vamos ter uma leitura descontraída, mas trabalhosa, aborrecida, tentando decifrar a sintaxe para conseguir chegar à semântica. Irrita-me quando antes de perceber a ideia ou argumento tenho de parar para perceber a frase. E irrito-me mais quando, depois de finalmente perceber a frase, descubro que não há uma ideia ou argumento (o que também é frequente).
Os praticantes desta «escrita descontraída», mesmo que pensem o contrário, são meros principiantes das letras e da comunicação. Não se relacionam suficientemente com a língua e a linguagem para perceber duas coisas:
1) Que as frases que escrevemos saíram da nossa cabeça e, por isso, somos capazes de entender facilmente um texto nosso, mesmo que ele esteja descuidado, mal pontuado, sem acentos e que ao escrevê-lo lhe tenhamos comido uma parte das palavras. Quem alguma vez se deu ao trabalho de rever a sério o que escreve sabe que é assim.
2) Aquilo a que noutros escritores chamamos de «escrita simples» é geralmente uma escrita bastante trabalhada — e que não ignora regras e convenções. Este tipo de «escritores simples» trabalha arduamente os textos para que a comunicação resulte límpida, transparente, sem dar trabalho desnecessário ao leitor (a não ser o que resulta da compreensão das ideias expressas).
Meus amigos: aspas, acentuação, vírgulas, pontos, travessões, itálicos (em estrangeirismos e títulos, por exemplo), concordância em género e número, correcta conjugação e aplicação de verbos, escolha rigorosa de adjectivos, etc. não são coisas antiquadas, desnecessárias, descartáveis. Não são, sequer, caprichos estilísticos de escritor. São a essência formal da comunicação escrita. Se não têm nada a dizer, não escrevam. Se acham que têm alguma coisa a dizer, lembrem-se que estão a escrever para seres que não convivem intimamente com os macaquinhos que vocês têm no sótão.
O problema é quando algumas destas pessoas escrevem textos que, por uma razão ou outra, nos vemos forçados a ler. A sua forma «descontraída» de escrever geralmente significa que nós não vamos ter uma leitura descontraída, mas trabalhosa, aborrecida, tentando decifrar a sintaxe para conseguir chegar à semântica. Irrita-me quando antes de perceber a ideia ou argumento tenho de parar para perceber a frase. E irrito-me mais quando, depois de finalmente perceber a frase, descubro que não há uma ideia ou argumento (o que também é frequente).
Os praticantes desta «escrita descontraída», mesmo que pensem o contrário, são meros principiantes das letras e da comunicação. Não se relacionam suficientemente com a língua e a linguagem para perceber duas coisas:
1) Que as frases que escrevemos saíram da nossa cabeça e, por isso, somos capazes de entender facilmente um texto nosso, mesmo que ele esteja descuidado, mal pontuado, sem acentos e que ao escrevê-lo lhe tenhamos comido uma parte das palavras. Quem alguma vez se deu ao trabalho de rever a sério o que escreve sabe que é assim.
2) Aquilo a que noutros escritores chamamos de «escrita simples» é geralmente uma escrita bastante trabalhada — e que não ignora regras e convenções. Este tipo de «escritores simples» trabalha arduamente os textos para que a comunicação resulte límpida, transparente, sem dar trabalho desnecessário ao leitor (a não ser o que resulta da compreensão das ideias expressas).
Meus amigos: aspas, acentuação, vírgulas, pontos, travessões, itálicos (em estrangeirismos e títulos, por exemplo), concordância em género e número, correcta conjugação e aplicação de verbos, escolha rigorosa de adjectivos, etc. não são coisas antiquadas, desnecessárias, descartáveis. Não são, sequer, caprichos estilísticos de escritor. São a essência formal da comunicação escrita. Se não têm nada a dizer, não escrevam. Se acham que têm alguma coisa a dizer, lembrem-se que estão a escrever para seres que não convivem intimamente com os macaquinhos que vocês têm no sótão.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Gosto que os meus amigos bloggers
ou facebookers façam de DJs. Em cada
visita à internet vou coleccionando toda uma banda sonora do dia em janelas
abertas à espera de serem ouvidas. Depois ouço-as, a maior parte das vezes com prazer
e proveito. (Isto porque ganhei o higiénico hábito de ocultar chatos, pessoas
desinteressantes e fãs do ‘Blasfémias’, que, como se sabe, têm péssimo gosto
musical).
sábado, 31 de maio de 2014
Chicote
O inefável jornal do Blasfémias,
que José Manuel Fernandes finge não dirigir, apresentou esta noite uma citação
que resultaria irónica se não fosse cínica: «A função do jornal é confortar os
atacados e atacar os confortáveis.*»
Depois de passar três anos a atacar os portugueses por terem «vivido
acima das suas posses», depois de defender mais e mais cortes salariais (ainda
hoje, aliás), depois de três anos sempre do lado dos bancos e das empresas que pagam
impostos no estrangeiro, aquela gentinha resolveu vestir agora os collants de Robin Wood — não se percebe
se para que ríssemos, se para açular o sádico que há em nós.
* Finley Peter Dunne
* Finley Peter Dunne
segunda-feira, 26 de maio de 2014
domingo, 25 de maio de 2014
Deus, diz-me onde construo a Arca.
Um agressor e assassino de mulheres é mascote de
foto-piadolas na internet e é aplaudido na sua entrada em tribunal. Duas faces
do mesmo país boçal. É perante quadros destes que acho a crise leve, enquanto
nação merecemos mais, uma purga a sério, uma das pragas da Bíblia, pelo menos.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Pequenos retratos infames (3): Henrique ‘Santa Comba’ Raposo
É ilegítimo e vil usar aspectos físicos das pessoas para atacar as suas ideias ou
posições políticas. Ou para as defender. Na minha pós-adolescência ocorreu acusarem-me
de Júlio Isidro e simultaneamente piropearem-me
de James Dean. (Hoje fariam pior.) Mas
isso aconteceu, tanto para o mal como para o bem, porque na verdade ninguém, eu
incluído, sabia ou se interessava pelo que eu pensava. Apenas estava toda a
gente, de novo eu incluído, fascinada (como no circo) pelos diferentes ângulos
da minha fotogenia: de frente para o James; de lado para o Júlio (nunca
subestimem o poder afrodisíaco de um nariz).
Mas deixemos Narciso no seu lago. Se tivermos nobreza de princípios e
intenções, será deveras impróprio e torpe lembrar o quanto Henrique Raposo, naquela
sua foto de míope, se parece com um oficial das SS ou com um agente da Gestapo.
O exercício é contudo legítimo se reconhecermos ao alvo dos nossos insultos uma
inteligência capaz. Precisamente porque sabemos que Raposo não ignora as
circunstâncias, as conotações e a vanidade de muitos dos seus artigozinhos irreverentes e caprichosos do Expresso, podemos, se formos igualmente
mesquinhos, responder-lhe com um «Heil Hitler para ti também». Ou, pronto, não
exageremos, o caso não é assim tão teutónico. Raposo talvez apenas se pareça
com um mangas-de-alpaca doutrinário, uma espécie de primito lisboeta e envernizado
do homem de Santa Comba, para quem basta um simples e nacional manguito das
caldas. E se o caso for menos grave ainda — Raposo enquanto mero delfim de
César das Neves, invejoso do sucesso daquele no anedotário luso (que não da
avença, imagino que o Expresso pague
mais) —, até podemos
achar o Henrique boa companhia para um copo. Quem não gosta de partilhar a mesa
com um tipo mesmo de direita? Eu
gosto, e o único amigo que tinha capaz de achar que a culpa da crise era dos gajos
do rendimento mínimo vacilou nas convicções quando o Governo lhe foi ao bolso e
o deixou mal equilibrado às portas do desemprego. Sinto por isso falta de
alguém a quem possa pagar com gosto umas rodadas enquanto digo: o que bebes,
nazi do caralho?
sábado, 1 de março de 2014
Pequenos retratos infames (2)
Helena Matos
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Pequenos retratos infames (1)
José Manuel Fernandes
Leio que José Manuel Fernandes vai embarcar num novo projecto
editorial, o Observador, que certamente
não por coincidência rima com conservador. (Rui Ramos coordena o Conselho
Editorial…)
Eu gosto de alguns conservadores. Gosto mesmo muito das crónicas do
velho Dr. António Sousa Homem, são da melhor literatura que Francisco José
Viegas escreve e da melhor que se lê em Portugal. Tenho a minha própria costela
conservadora. Como um tipo de outros tempos, espanta-me a linguagem da
juventude, as suas maneiras, o desrespeito, o totalitarismo que nela é tão
natural que alguns dos seus elementos se surpreendem genuinamente quando acusados
de desconsideração, de abuso.
Não gosto de fanáticos. E, por corolário, não gosto de José Manuel
Fernandes. Desde que ele se apaixonou por Helena Matos, essa avençada do Tea
Party, gosto menos ainda. Os dois isolados são irritantes; juntos tornam-se odiosos,
uma espécie de Bonnie and Clyde com um
gosto sádico por assaltar velhinhas.
José Manuel Fernandes é um conservador influente. Que Portugal tenha
fretado e revestido a pechisquebe um cacilheiro para ir a Veneza, fazendo deste
género de epopeia marítima o símbolo de uma opção no que se refere ao apoio às
artes, é, de certa forma, um desiderato para o qual contribuiu o antigo
director do Público. Anos atrás, ele
escreveu que «uma só exposição como a de Amadeo [na Gulbenkian] faz mais pela
educação do gosto dos portugueses do que milhares de microeventos de
“criadores” que não estão dispostos a correr riscos». A ideia era defender meia
dúzia de grandes exposições deste género como investimento único do Estado nas
artes. Daí a o Estado “arriscar” na Joana Vasconcelos pós-Versalhes, foi um
passinho.
O próprio José Manuel Fernandes é uma pessoa de arriscar. Quando temos
um governo, uma maioria e um presidente de direita, quando temos uma crise e instituições
tutelares a forçar uma viragem política e social extrema à direita, José Manuel
Fernandes embarca num arriscado projecto editorial… de direita. É preciso coragem.
É certo que não há o risco de lhe faltarem patrocinadores, com tantas empresas
agradecidas pelo admirável mundo novo que ele ajudou a promover. Mas há o risco
grande de os portugueses confundirem o Observador
com o Diário da República, quando
notarem que a tendência editorial é a mesma. Claro que este problema de
concorrência se resolverá rapidamente quando todos perceberem que há benefício
em assinar o Observador, onde as (más)
novas legislativas aparecerão primeiro. O DR
deverá, aliás, ser rapidamente extinto, por redundante. Para quê um caro órgão público
oficial quando podemos ter um privado órgão oficioso?segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
É verdade. As sociedades de partido único resolvem-nos melhor.
«Os pequenos partidos são um sintoma de sociedades que não conseguem resolver os seus problemas.»
Vasco Pulido Valente, Público
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Ideologia e competências autárquicas
Já se sabe que para os contribuidores do Blasfémias o Estado devia desaparecer, e nesse sentido é esclarecedora
a visão caricatural das competências autárquicas que Rui A. (nome artístico ou
timidez juvenil?) apresenta neste post:
«Em vez de tapar os buracos das ruas, licenciar novos prédios*, dar um destino decente ao Bolhão e resolver os problemas do trânsito, o programa da coligação municipal Rui Moreira/PS tem por objectivos “as prioridades que foram amplamente sufragadas pelos portuenses: Coesão Social, Economia e Cultura”. “Coesão Social, Economia e Cultura”? E nas mãos do PS? Tremam, portuenses!»
É generoso da parte do blogger
blasfemo confiar os buracos e o trânsito às câmaras (quando lá no íntimo
acredita que a iniciativa privada é melhor a repor paralelepípedos e a
programar semáforos), mas conceder que sejam necessárias licenças de construção é uma absoluta extravagância da sua parte. E
a livre iniciativa? O empreendedorismo sem burocracias? Mais um pouco e Rui A. ainda
acha que os mercados devem ser regulados.
* Já agora, num país onde se construiu demais e onde as empresas de
construção estão falidas, «licenciar novos prédios» parece estupidez ou utopia
— raio de lapso num blogue tão seguro da sua clarividência.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
A fé nunca morre
No Blasfémias aproveitaram o rescaldo das eleições para verter mais cera na hagiografia de Vítor Gaspar (1 e 2). Já se sabe, os santos morrem para que a fé possa sobreviver.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Tea Party Portugal
Um dos colaboradores do Blasfémias reclama um «Tea Party Brasil». Faz sentido. Poderia aproveitar e pedir a mudança do nome do blogue onde escreve. Tea Party Portugal assentava melhor e era mais honesto para um sítio como aquele.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Thin tank
No meu rotineiro exercício de masoquismo (a versão oficial defende que
é abertura de espírito), passo os olhos pelo Blasfémias e, atendendo à assertividade do sítio, frequentemente me
pergunto se não deveríamos entregar o governo do país à direita de Vítor Cunha,
João Miranda, Rui A. e Gabriel Silva. Mas depois uma voz me diz: «Mas essa direita está no Governo e tem dado
no que se vê!» E logo outra voz corrige: «Essa
direita, ponto e vírgula: os rapazes não se entendem o suficiente entre si para que se
possa dizer que há uma solução de direita para a crise ou para o que quer que
seja.» O que não impede nenhum deles de ser 100% categórico, de estar 100%
cheio de razão, 100% discordante de qualquer ideia de esquerda ou meramente dubitativa.
Some-se a isso o histerismo fóbico de Helena Matos, a contribuição zelota de
José Manuel Fernandes e a pegada deixada pelo hilário (e muito sintomático) Carlos Abreu Amorim* e temos ali um think tank de luxo.
* Estarão à espera de quê para contratar o ex-ministro e dr. Relvas para o lugar deixado vago na chafarica?
* Estarão à espera de quê para contratar o ex-ministro e dr. Relvas para o lugar deixado vago na chafarica?
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