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sábado, 30 de maio de 2020
Tempo Contado
Isto também não me vai granjear simpatias, mas que hei-de fazer: visitar o blogue Tempo Contado é há muito um exercício de mera tristeza.
sexta-feira, 12 de abril de 2019
'Ensaio sobre a perturbação do sono'
O blogue Aventar fez dez anos e convidou-me para escrever um texto. Saiu-me este longo 'Ensaio sobre a perturbação do sono'. (Ainda bem que o blogue não é em papel.)
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Boa notícia
O meu amigo J. F. Borges retomou o blogue Divina Comédia. E em grande forma.
Ressurgimento
1657 dias após a sua morte, este blogue ressuscitou. Ou talvez tenha reencarnado. Da vida anterior conserva certos vícios, sobretudo a tendência para ser irritantemente sintético nos textos que exibe. Preguiça disfarçada. Mas a preguiça tem vantagens, algumas de alcance cósmico: o mundo ainda não se deu ao trabalho de acabar.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
Revista de blogues
Por crónica falta de tempo, acompanho hoje poucos blogues.
Mesmo da lista reduzida aqui na coluna da direita só consulto regularmente meia
dúzia: o de Francisco José Viegas, pela escrita e as notas de erudição e
raramente ou nunca pelas ideias (com frequência atrozes); o Âncoras e Nefelibatas, belo mas pouco
produtivo nos últimos tempos, o Bicho Ruim, marginal, maldito e bem-querido, o Delito de Opinião, que visito cada vez menos por me desinteressar a
política partidária que ali tem amplo debate e demasiado catecismo, o Jas-Mim, um dos poucos vila-realenses
que conheço capazes de um diálogo culto com o mundo, o Marginal Ameno, do melancómico Nuno Costa Santos, o Ouriquense, de muito interessante autor,
para mim anónimo, exilado nesse belo Alentejo de que Ourique, a vila, não é a
melhor parte, e, por fim, mas no topo do que resta do meu vício bloguista, o Coração Acordeão, do magnífico prosador,
diarista e ironista António Gregório. O António não é dealer que apareça todos os dias (ao contrário da pródiga e também
excelente Ivone Mendes da Silva, no Facebook), e por isso a visita ao seu blogue
é antecedida de alguma agonia, mas quando vemos que há nova entrada o sangue volta
a correr-nos nas veias e no final da leitura já leva dentro química suficiente
para nova reconciliação com o mundo.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
A nova direita portuguesa, o Correio da Manhã e a aceitação do país
Há duas décadas os blogues vieram permitir um exercício
público de opinião livre das rotinas da imprensa tradicional. A liberdade e o
individualismo favorecidos pelo novo medium
e, claro, as décadas entretanto passadas sobre o 25 de Abril e o Estado Novo
estimularam o surgimento de uma nova direita no espectro político português. Esta
direita — educada, culta, cosmopolita, frequentemente com sensibilidade
estética e artística, aparentemente menos preconceituosa e mais tolerante (com
ferozes excepções) — foi ganhando espaço mediático no país e fazendo sair do
armário (no sentido ideológico) alguns intelectuais mais velhos que por ai
pairavam sem pouso doutrinário totalmente definido, receosos de dizerem o que
realmente pensavam ou sem certezas quanto àquilo que realmente pensavam (ou
desejavam pensar). Este esclarecimento ou esta «normalização» política foram
positivos, por permitirem que algumas pessoas assumissem ideias de direita sem
receio de serem conotadas com o fascismo salazarista. A democracia e o debate
político cresceram.
Contudo, relegando alguma da sua formação cultural mais esclarecida
e universalista, uma parte desta nova direita cedo se deixou embevecer pelo
pragmatismo, pelo cinismo, pelo messianismo ou simplesmente pela bravata
neoliberal que nos EUA vinha dominando o Partido Republicano. (Há um
adolescente lado cowboy nesta direita
e no seu frequente louvor dos duelos e bengaladas queirosianas ou oitocentistas,
com correspondência num certo baronato socialista.)
Os primeiros sinais disso foram, logo no início, o espantoso
apoio à invasão do Iraque em 2003. Se fosse a esquerda a demonstrar tal grau de
ingenuidade e crendice (ou de oportunismo), teria sido simplesmente demolida (e
bem) pelo pensamento sofisticado da nova direita. No entanto, ainda hoje várias
figuras dos blogues (agora nos jornais, na televisão ou nos partidos) se revelam
incapazes de reconhecer o erro cometido num momento que foi determinante na definição
do mundo que hoje temos.
Mais recentemente, esta nova direita, já constituída pelos bloggers e pelos «velhos» saídos do
armário, encontrou no Correio da Manhã
o seu fetiche de mundivisão, o seu oráculo político-religioso. Com esta direita
intelectualmente desenvolvida, o jornal deixou de ser um órgão sensacionalista,
um mero tablóide a fazer o que os tablóides fazem, para passar a ser o órgão
que melhor informa sobre o que realmente se passa no país, o que melhor revela
o que é Portugal: a sua corrupção política, os seus crimes, a sua violência
quotidiana — a podridão nacional, em suma.
Poder-se-ia pensar que havia neste contentamento com o
desvelar da negra alma lusa um desejo de correcção, de purga, de construção de
um país mais honesto, menos violento, mais justo, mas isso são pensamentos de
esquerda. A nova direita portuguesa não escreve no Correio da Manhã nem cita o Correio
da Manhã para que acordemos, para que nos vejamos ao espelho e nos
envergonhemos com o que somos. Nada disso. Na verdade, a nova direita quer que
conheçamos o país para que o aceitemos como
é. Tirando um ou outro caso político desenvolvido no jornal, em que a
imparcialidade é conveniente ao próprio statu
quo da nova direita portuguesa (nos outros casos geralmente cala-se ou
veste-se de virgem), e, portanto, é aí conveniente o apelo à justiça, à moral,
ao apuramento da espécie, a nova direita não fica realmente indignada com a imoralidade,
a injustiça, a violência, os crimes, a crueldade. Adoptam, alguns dos seus espécimes
mais tendentes à literatice (como de resto o velho centro-esquerda), a atitude
do aristocrata, espreitando das janelas altas do seu solar as ruas enlameadas,
levemente horrorizados, mas apenas como introdução teatral à constatação
inconsequente de que o país é uma choldra. Nos outros casos é simplesmente social-darwinista
— se se sabe do lado certo da evolução. (Neste campo é comum observar-se como
alguns jovens direitistas que saem de bairros, zonas ou grupos sociais deprimidos
para o sucesso académico, económico ou intelectual se revelam os mais
fervorosos na defesa não declarada de que é natural
uma luta das espécies e temos portanto de ser duros na nossa vida, nada de
mariquices.)
Não obstante fingir-se por vezes paladina de um povo essencialmente
«bom e honesto» que só existe na sua cabeça e que, sem rir, tenta fazer
coincidir com o leitor comum do Correio
da Manhã, a nova direita portuguesa tem, nalguns casos apenas porque uns
quantos pensadores de eleição o tiveram, um crónico pessimismo antropológico (predisposição
que, em minha opinião, é aliás altamente aconselhável a qualquer pessoa
sensata), e conclui, cinicamente, mas sem verdadeiramente o afirmar, que o que
importa é então que conheçamos o país através do Correio da Manhã —não que nos indignemos com o país que o Correio da Manhã revela. Aceitarmos o
país não nos resolve os problemas, mas não é isso que está em causa. O que está
em causa é que há coisas a que chamamos problemas que são apenas características, meras constantes
históricas e sociais. Se as aceitarmos, talvez nos possamos defender melhor
delas (diz a direita quando é piedosa ou residualmente empática) ou, melhor
ainda, talvez nos resignemos a conviver com elas.
Julgo que não há estudos universitários que analisem a estatística
da opinião publicada (e devia haver), mas, consultando a Internet ou os jornais
que por inércia vamos acumulando em casa (e para voltar a um assunto que me é
caro), podemos chegar à conclusão de que a direita é mais veloz e prolixa a
premir o gatilho contra os linchamentos de carácter por suposto assédio sexual
do que o tem sido contra a violência doméstica — ou seja, o machismo violento e
demasiadas vezes fatal. (De que, aliás, o seu Correio da Manhã quotidianamente nos informa.)
Seria errado propor que este desequilíbrio de opinião ou de
ênfase acontece porque a direita se identifica mais facilmente com os impulsivos
perpetradores da violência doméstica (ou com os alvos dos linchamentos
revanchistas) do que com as vítimas de assédio, tantas vezes frágeis e
impotentes, propícias a sucumbir na evolução das espécies. Não é isso. Acontece
é que a violência machista, mesmo que sabidamente nefasta, é um continuum histórico, enquanto a «revolta
feminista» é, precisamente, uma tentativa de quebrar o continuum histórico. E os conservadores sempre se incomodaram mais com as rupturas do que com as injustiças*.
* O mesmo se passa no plano económico, com as imoralidades actuais
do capitalismo a merecerem menos indignação do que qualquer modesta proposta de contenção
das desigualdades.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
sexta-feira, 27 de março de 2015
Benefícios do agendamento de posts
Uma das vantagens de ter escrito livros que permanecem inéditos é esta possibilidade de ir publicando excertos no defeso, alimentando com eles o
blogue, agendando posts como se o
escritor ainda estivesse vivo (quem o garante?). Além disso, o leitor pode
encontrar certo prazer lúdico em coleccionar os excertos e tentar uma
reconstrução da obra, a ver se lhe encontra sentido. Etiquetas como Aranda ou Hotel do Norte, havendo paciência, podem encher-se de um número
suficiente de excertos para que, montando-os laboriosamente como bobinas de
película, o leitor logre ufano a sua reader’s
cut.
Claro, há também a possibilidade de, no termo da montagem ou cansado de
tentativas, o leitor descobrir que a obra não tem afinal, digamos, ponta por
onde se lhe pegue. Mas nessa altura não é certo que o autor ainda esteja aí para sofrer o
choque.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Feeling good
Fiz uma boa acção. Duas. Acrescentei finalmente à minha lista* de blogues o excelente Catastrophe e eliminei os cretinos do Blasfémias (onde tinha eu a cabeça quando meti aquela merda na lista? já não tenho idade para me irritar). Vou dormir um pouco mais feliz.
*Um dia organizo isto por ordem alfabética ou de preferência.
*Um dia organizo isto por ordem alfabética ou de preferência.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Zuckerberg: vê lá se cresces, pá!
Como por infortúnio
(ou melhor dizendo, por ausência de fortuna) não posso comprar a revista LER,
amiguei-me com ela no Facebook. Contudo, o Facebook não deve gostar deste tipo
de promiscuidade, porque não me tem dado qualquer notícia de actualizações da página.
Dá-me notícias de actualizações patetas (sim, também as há no rol dos meus 275 "amigos") e dá-me sugestões de imbecilidades que não lhe pedi. Mas não me informa
de novidades da LER. De início julgava que era porque a revista não publicava nada, e creio que
assim foi durante algum tempo. Mas agora, por um acaso, descobri que o blogue da LER tem estado mais activo do que me lembrava e que a página do Facebook tem
espelhado essa actividade.
Caro Zuckerberg: bem sabemos que o bom uso que
alguns fazem da tua invenção é algo que não estava na tua cabeça e te deixa
contrariado, mas é um golpe baixo favorecer os patetas só porque simpatizas
mais com eles. Vê lá se cresces, pá, isto não é a universidade! Já não és um
caloiro! Ou um dux!
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Thin tank
No meu rotineiro exercício de masoquismo (a versão oficial defende que
é abertura de espírito), passo os olhos pelo Blasfémias e, atendendo à assertividade do sítio, frequentemente me
pergunto se não deveríamos entregar o governo do país à direita de Vítor Cunha,
João Miranda, Rui A. e Gabriel Silva. Mas depois uma voz me diz: «Mas essa direita está no Governo e tem dado
no que se vê!» E logo outra voz corrige: «Essa
direita, ponto e vírgula: os rapazes não se entendem o suficiente entre si para que se
possa dizer que há uma solução de direita para a crise ou para o que quer que
seja.» O que não impede nenhum deles de ser 100% categórico, de estar 100%
cheio de razão, 100% discordante de qualquer ideia de esquerda ou meramente dubitativa.
Some-se a isso o histerismo fóbico de Helena Matos, a contribuição zelota de
José Manuel Fernandes e a pegada deixada pelo hilário (e muito sintomático) Carlos Abreu Amorim* e temos ali um think tank de luxo.
* Estarão à espera de quê para contratar o ex-ministro e dr. Relvas para o lugar deixado vago na chafarica?
* Estarão à espera de quê para contratar o ex-ministro e dr. Relvas para o lugar deixado vago na chafarica?
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