quarta-feira, 10 de maio de 2017

A salvação é possível, irmãos!

Apesar do nome, Salvador Sobral não vem redimir anos de indigência televisiva. Mas, ah, sabe bem esta pausa na nacional e proverbial pimbalhice! A estratégia de Nuno Artur Silva (de que já aqui falei) foi recompensada e veio relembrar a condescendência, a indiferença, o niilismo ou a cobardia de sucessivas direcções editoriais das televisões, pública e privadas. Sim, a popularidade é possível por outras vias.

A ironia de sempre é que as televisões são por natureza máquinas de popularizar e, quando, inseguras, incompetentes ou cínicas, baixam a sua bitola ao nível da miséria intelectual, popularizam lixo. Décadas de irresponsabilidade institucional fizerem crer que a única forma de comunicar esteticamente com as massas era através da mediocracia artística. Mas eis que o país, um país maior do que as habituais bolsas de resistência cultural, se mostra capaz de apreciar e amar uma boa canção, mais devedora ao jazz do que à fórmula habitual de encher as insuportáveis e itinerantes chouriças de sábados e domingos à tarde.

Ainda não será desta que as populações se revoltam contra a imagem que a televisão faz delas, mas talvez fique um pouco mais evidente que aquela imagem é, antes de mais, o espelho de quem faz televisão.

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