quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O apêndice marital

É tristemente irónico que Siri Hustvedt, escritora de talento, erudição e densidade intelectual, com obra e reflexão sobre preconceito de género, seja apresentada em Portugal como esposa de Paul Auster. Percebo o atractivo comercial da informação, mas, quatro livros depois — o penúltimo intitulado “Verão Sem Homens” e o último versando sobre «os preconceitos que imperam no mundo da arte» — quatro livros depois, perturba que a D. Quixote continue a incluir nas badanas o apêndice marital. Quantos escritores masculinos são apresentados como maridos de não sei quem? Eu, se fosse a Siri Hustvedt, mandava passear a D. Quixote no próximo livro. Se a editora não consegue vender-lhe as obras pelo mérito ou se os portugueses não as compram senão pelo popular marido, não a merecem. E, claro, não a entendem.

1 comentário:

manuel.m disse...

Curioso o seu post:
Tempos atrás quis fazer uma referencia ao livro de Alain de Botton "Religion for Atheists" e por curiosidade procurei saber se estava publicado em Portugal.
E sim está, precisamente pela D.Quixote sob o titulo "Religião para Ateus" ostentando uma sugestiva capa onde se lê em letras garrafais "Biblia Sagrada".
Ora no livro o autor não fala nunca na Biblia .Provavelmente se essa editora publicasse num país muçulmano seria "O Alcorão" a ter lugar de destaque.Palavras para quê?
manuel.m