quarta-feira, 16 de abril de 2014

To send you my love

No Verão passado frequentei com certa assiduidade, para livros e vinho, a esplanada ocidental da Club House de Vidago. Tanto porque sou patologicamente avesso à humanidade (embora às vezes disfarce) e o sítio é pouco concorrido, como porque tenho romântica nostalgia de um passado aristocrata que não posso reivindicar e por tantas razões abomino.
Para lá das minhas bizarrias (e das minhas frases barrocas), locais como o Parque de Vidago agradam-me também porque providenciam um contacto delicado com a Natureza.
Por todas estas razões, aceito partilhar com poucas pessoas os momentos que ali passo, e a memória de cada tarde é preciosa.

Se hoje evoco este cenário é porque, por razões particulares, recordei uma tarde em que ali passeei com a mais nova das minhas irmãs. Não era a primeira vez que íamos juntos esquecer o mundo e a vida, mas naquela tarde de 2013 deambulámos descalços pelo relvado suave e levemente húmido dos buracos 17 ou 18. Talvez o momento panteísta apenas tenha sido intenso para mim, mas eu gostaria que aqueles minutos de felicidade tivessem tomado também o espírito da minha irmã deixando marcas duradouras. Que o meu amor e o meu orgulho nela, já que não saem por palavras, tivessem descido aos meus pés e ao solo como a corrente eléctrica das trovoadas e subido depois pelos dela ao seu coração. Se isso não aconteceu então, que esses sentimentos façam agora o caminho dos meus dedos para a ligação ADSL, do meu ecrã para o dela. Que de mim se aproveite alguma energia para fortalecer (ainda mais) a dela. A tua, irmã.

6 comentários:

Luis Eme disse...

não sei se a tua irmã é de corar, mas de certeza que está orgulhosa das tuas palavras. :)

Rui Ângelo Araújo disse...

:)

Um Jeito Manso disse...

Palavras muito bonitas que a sua irmã vai perceber que estão sob a pele do 'mano velho' e das quais vai certamente orgulhar-se muito. Palavras assim, apesar da sensibilidade que revelam, são muito fortes. Quem as recebe vai sentir-se capaz de enfrentar o mundo, sozinha se necessário for.

Rui Ângelo Araújo disse...

Tomara que sim, Um Jeito Manso, tomara que sim. :)

Jota Pê disse...

Saia-nos ele por onde sair, pelos pés, boca ou mãos. Aconteça isso pela forma que for, corrente eléctrica, ADSL, trovoada ou outros fogos de artifício. O importante mesmo é que não deixemos por dizer, a quem são devidas, estas palavras de inquebrável cumplicidade e de deliciosa nudez confessional.

Rui Ângelo Araújo disse...

Obrigado, Jota pê.