quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A nostalgia dos regicidas

As mimosas florescem,
mas é um embuste,
não há essa coisa a que chamam Primavera.

Este é o tempo dos regicidas,
alvoraçados como andorinhas.

Eles virão, eles virão.
Quando o cuco sobressoar nas copas
e o pica-pau na pele dos ulmeiros,
os reis lembrar-se-ão com estupor
da última luz de Nagasaki,

pobres nostálgicos.
Eles virão, eles virão,
arrasando o edificado
vergando a floresta
queimando terra e ar
estoirando os crânios reais (só de pensar neles)
— ou acordando com azia
num dia de expediente

e atrasados para o eléctrico.
Não há essa coisa a que chamam Primavera.

E.K.

[versão google translator retocada a partir de original grego]

2 comentários:

Um Jeito Manso disse...

Costumava perguntar o Luís Fernando Veríssimo: 'poesia numa hora dessas...?' e assim me espantei eu quando vi um poema aqui nos Canhões.

Mas espantei-me cedo demais. Este é um poema bem ao jeito de um disparo de canhão.

Rui Ângelo Araújo disse...

:)