sexta-feira, 8 de novembro de 2013

«Vá cortar as unhas!»

Coisas que me dispuseram bem no Facebook hoje:
- Chamarem Tico e Teco aos dois neurónios de Margarida Rebelo Pinto.
- Dizerem-lhe: «Vá cortar as unhas»

Coisas que me dispuseram mal:
- Um link para um artigo do Público onde Pedro Lomba mostra como também sabe ser hipócrita. Ou parvo.

Há uns tempos o problema era a produtividade, a função pública precisava de trabalhar mais horas. Hoje soubemos que afinal a função pública pode trabalhar menos horas e que isso, levar mais horas mas menos dinheiro para casa, é bom para as famílias. O empobrecimento passou de necessário a bom.
É como a demografia: a direita tonta que Lomba frequenta (e que, por contágio, o entonteceu) não se cansou durante anos de alertar para a o problema de uma demografia envelhecida, era preciso combater o aborto e fazer filhos, ter grandes e sólidas famílias tradicionais, monárquicas também podia ser. Depois os tontos, muito educadinhos e aperaltadinhos e sabujinhos, abriram a porta à tia troika e foram para o poder com pins na lapela (ler a crónica de Lobo Antunes é imprescindível) e afinal já não importava nada envelhecer o país mandando os jovens emigrar.

Estes bebés prematuros, espermatozóides de gravata ao pescoço, acham que os outros tiveram o mesmo tipo de desenvolvimento intelectual que eles, que também formaram pensamento e currículo na incubadora da Alfredo da Costa. A desfaçatez é tão grande e tão óbvia que num acesso de ternura, como os que por vezes se tem perante os tolinhos da aldeia, somos inclinados a pensar que tomarem-nos por parvos é a maneira deles um elogio, é dizerem-nos que nos consideram seus iguais.
É que tipos destes chegam a acreditar nas imbecilidades que dizem. Não se importam de ser parvos em nome da causa. Sacrificam a sua inteligência (considerando a possibilidade de terem mais do que um Tico e um Teco debaixo da melena beta) e a sua honra em nome de um bem superior (uma entidade tão insondável quanto os mercados, possivelmente um heterónimo destes). Tais secretários de estado e assessores so british, com muito ciência política à inglesa (a francesa é hó-rro-ro-sa!), são as tias louras da direita tonta portuguesa.

Ok, talvez Pedro Lomba tenha mais um neurónio do que Margarida Rebelo Pinto (um Huguinho, um Zezinho e um Luisinho, digamos, ou os Irmãos Metralha), mas a sua argumentação está ao nível da da escritora, é tão possidónia quanto a dela. Não se admire, por isso, sr. secretário de estado, se na rua alguém lhe disser com a igual escárnio: «Vá cortar as unhas!»

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