terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Alentejo

Durante a maior parte da minha vida, fui de paisagens montanhosas. Talvez ser transmontano tivesse nisso um papel (mesmo que o meu “patriotismo” sempre tivesse sido débil). Achava a planície monótona, sem segredos, com todas as possibilidades demasiado à vista, sem espaço para a imaginação, para fantasiar sobre o que se oculta por trás de um monte ou na sombra de um vale profundo.
Hoje o Alentejo Interior é o meu paraíso na terra. A luz, a profundidade de campo, a linha do horizonte, toda aquela cúpula celeste, a fauna, a arquitectura, o interior das casas, os terraços, o meu alpendre de Verão, o vinho, o Vovó Joaquina — está lá tudo o que preciso para ter dias felizes.
Nestes tempos sem soluções económicas nem ofertas de emprego, façam do Alentejo a Florida da Europa e de mim um anafado alemão na reforma. Aceito que o façam compulsivamente.

2 comentários:

Luis Eme disse...

sim, a profundidade da paisagem, é única.

na Beira Baixa também é um pouco assim, mas menos dourada...

Um Jeito Manso disse...

E, quando a Popota Angela cá voltar para fazer festas na cabeça do seu caniche de estimação, o meu Caro, dressed by Jumbo ou quiçá num momento Coronel Tapioca, poderá fazer parte do grupo de alemães (os alemães convertidos contarão como alemães a sério) que irão testemunhar como são bons e pequeninos os simpáticos portugueses...

:)

Mas tem razão, o Alentejo é uma maravilha, admito até que justifique a conversão.


PS: Apreciei a resposta lá em baixo.