terça-feira, 31 de julho de 2012

Diário de férias (7)

Aprecio o gregarismo dos outros — na medida em que isso liberta espaço na praia. Na Praia Grande, as pessoas tendem a amontoar-se nas zonas dos dois acessos principais, a largas centenas de metros um do outro, libertando uma grande faixa intermédia para os de nós que não se importam de andar um pouco ou pretendem ficar nus. É bonito ver a humanidade assim dividida: as massas a disputar um lugar ao sol no seu reduzido pedaço de areia e a gente que caminha e/ou se despe a partilhar harmoniosa e folgadamente uma grande quantidade de território.
Visto do mar, de onde as pessoas nos parecem insectos, dir-se-ia que alguém despejou nos extremos da Praia Grande uma boa quantidade de qualquer coisa, qualquer coisa que só a entomologia, um estudo apurado da natureza dos insectos poderá determinar.

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Quando era novo costumava passar o dia ao sol e em consequência era o “preto” da família. Agora corro poucos riscos de ter um grande bronze. Não me entendam mal: sei um pouco de estar de papo para o ar sem fazer nada (J), mas na praia isso não é possível, a não ser que não nos importemos com escaldões e melanomas. Quando nos importamos, se não passarmos o tempo a ajustar o guarda-sol (ou a ajustar nossa carcaça em função dele), estaremos certamente ocupados (e besuntados) a repor a camada de protector solar. Ora, isso não é a minha ideia de não fazer nada.
É por esta e outras razões que hoje sou um homem das sombras. 

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