quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Botões-de-punho

A Sábado traz na capa um padre com uma elegância irrepreensível. Parece que se trata do líder do Opus Dei. Não li a reportagem que a capa ilustra, mas presumo que não é sobre fé, altruísmo ou bondade, não é sobre preceitos cristãos ou nobres sentimentos humanos. É talvez sobre dinheiro e poder. Os botões de punho na camisa do senhor padre alimentam a suspeita.
Talvez, talvez a reportagem padeça da síndroma de Brown, não custa imaginar. No entanto, há questões. O que fazem aqueles botões-de-punho na camisa do senhor padre? Foram lá postos pela revista?
Certos monárquicos, alguns industriais e muitos yuppies adoram botões-de-punho. Padres que se querem mostrar iguais aos outros homens vestem calças de ganga, bebem minis ou jogam à bola. Botões-de-punho não igualizam — distinguem. Distinguem geralmente quem está do lado do dinheiro.

2 comentários:

Um Jeito Manso disse...

Os homens que usam botões de punho gostam que os outros homens vejam que se cuidam ao vestir. Penso até que desejam que os outros homens pensem que são 'jóias de família'.

As mulheres geralmente acham uma coisa muito pouco prática.

Um homem da Opus Dei com botões de punho? Acho perfeito.

Margarida disse...

E do bom gosto.
Concordo com tudo o que escreve, mas não esqueçamos o bom gosto.
Eu aprecio muito botões de punho. Distinguem, pois.
O lado do dinheiro? Sucede.
Mas existem botões de punho acessíveis. Baratinhos, até.